segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Maconha: não fuja do assunto!

As discussões sobre a legalização/liberação da maconha estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia. Nossos vizinhos uruguaios adotaram uma postura de legalização da comercialização, produção e distribuição da droga, o Estado agora controla estes processos. Foram também lançadas medidas de regulamentação. Assim como o Uruguai, outros países já modificaram sua postura com relação a maconha, sendo um assunto de destaque no cenário atual.

Este mês, foi divulgado um documento pelo Centre for Addiction and Mental Health (CAMH), importante instituição canadense destinada ao tratamento, ensino e pesquisa em saúde mental e dependência química, apoiando a legalização da maconha com a devida regulamentação pelo governo do Canadá. Os pesquisadores do CAMH enfatizam que a maconha não é uma substância benigna, apresentando sim riscos como problemas cognitivos e motores, problemas respiratórios, dependência e problemas de saúde mental. Embora menores que os riscos trazidos pelo uso do álcool e tabaco, estes aumentam dependendo da frequência assim como da idade de início de uso.

Apesar dos riscos associados, o documento questiona a política proibicionista argumentando que esta introduz riscos sociais e individuais que ultrapassam os riscos a saúde. Alegam que, além de não deter o consumo, esta postura exporia os usuários ao uso de drogas de baixa qualidade, além de aumentar sua exposição a outras drogas, ao crime e punições penais, dificultando também o acesso dos usuários ao tratamento. O documento propõe a legalização, porém com recomendações de controle como o monopólio da venda pelo Estado, idade mínima pra consumo, controle de disponibilidade, um sistema de preços que reduza a demanda e  desencorajam o uso, proibição da propaganda e venda em embalagens simples e padronizadas. Enfatiza-se também a garantia de acesso ao tratamento, esforços na prevenção e educação além da proibição da condução de veículos quando sob efeito da substância.

Sendo um serviço de atenção a saúde mental, este debate afeta também o CAPSIA. Assim, acreditamos ser importante que se estabeleça um diálogo aberto. Estamos preocupados, sobretudo, com a melhoria da qualidade de vida de nossos pacientes, assim como da população em geral. As realidades dos países aqui referidos são, sem dúvida, diferentes da de nosso país, no entanto isso não impede que falemos sobre o assunto.

Em nossa prática diária adotamos a política de redução de danos, a qual é preconizada  pelo Ministério da Saúde. A redução de danos é uma  “estratégia de saúde pública que visa reduzir os danos causados pelo abuso de drogas lícitas e ilícitas, resgatando o usuário em seu papel autorregulador, sem a preconização imediata da abstinência e incentivando-o à mobilização social” (Brasil 2003). Na condução de nossas ações na comunidade buscamos priorizar o incentivo a hábitos de vida saudáveis assim como questionamentos éticos como o respeito ao outro e à natureza. Acreditamos que auxiliando indivíduos a serem mais conscientes sobre sua saúde e seu papel social é que se faz possível a redução da busca pelo uso de substâncias psicoativas.

Mais informações:






Equipe CAPSIA - via correspondente internacional Ana Bittencourt  =)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Mês das Crianças!

E o nosso mês de outubro vem sendo marcado por diversas atividades legais pra comemorar o dia das crianças, não podendo faltar o passeio pra prestigiar a nossa Festa da Alegria, a Oktoberfest!

Procuramos sempre incentivar as atividades também fora do espaço do CAPSIA, como meio de proporcionar momentos diferentes e especiais para a nossa galerinha, inserindo-os em contextos sociais diversos, novas realidades e experiências, oportunizando a eles atividades que, por suas condições sociais, eles não teriam acesso.


Teve passeio no Parque de Diversões da Oktoberfest...





... teve Cinema 3D!



Além de novas e lindas produções no CAPSIA.







Gostaríamos de fazer um agradecimento especial a nossa colega Tayná, que descolou todos os ingressos que oportunizaram a participação nestas atividades!


Até a próxima aventura! ;)


Equipe CAPSIA

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Bullying

Nos dias 22/08 e 12/09/2014, o CAPSIA esteve na Escola Petituba falando sobre bullying com alunos das oitavas séries.

Estes momentos fizeram parte de um projeto intitulado "Sáude na Escola", onde são trabalhadas questões de saúde física e mental, pertinentes às necessidades da escola. O projeto contou também com a participação de agentes comunitárias de saúde atuantes nesta área de abrangência.

No primeiro encontro foi realizada uma dinâmica de grupo como disparador da discussão sobre o tema. A roda de conversa foi bastante produtiva, com a participação de todos.

No segundo dia, sugerimos a produção de cartazes, com a turma dividida em grupos, cada um com um tema relacionado ao bullying. Após a apresentação dos cartazes e das ideias desenvolvidas, foi feita uma apresentação pelo CAPSIA para aprofundar estas ideias iniciais.

Percebemos juntamente com os alunos, o quanto as práticas de bullying estão presentes e são frequentes no ambiente escolar e o quanto precisamos estar atentos as consequências destas atitudes na saúde mental dos colegas.

O CAPSIA procura fomentar e participar de ações de prevenção e orientação em saúde mental, sempre que possível, dentro de sua atribulada rotina!

Abaixo seguem as fotos dos registros dos cartazes produzidos pela galerinha!






 Equipe CAPSIA



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Retornando as postagens com... Jogos de Inclusão!

Depois de um tempinho sem postar por aqui (nossa blogueira nos deixou por um período, foi se especializar lá para as bandas do Canadá... chique, hein?), resolvemos compartilhar as fotos do lindo evento "Jogos de Inclusão", que ocorreu no dia 20/08 (o poster foi divulgado aqui no blog). Antes tarde do que nunca, né?

O evento foi um sucesso, teve grande adesão dos nossos usuários, bem como dos usuários de outros serviços e alunos de diversas escolas. Já estamos ansiosos pelo evento do próximo ano - ele já faz parte do calendário municipal.

A abertura foi emocionante, com apresentação artística dos alunos da APAE e exibição de um clip realizado em parceria entre os alunos desta instituição com a banda Maria do Relento - até o vocalista Peppe Joe esteve lá pra animar a galerinha. Cada escola e instituição participante entrou com sua delegação devidamente identificada.

Além das atividades esportivas competitivas (futsal e atletismo), teve chute a gol, arremesso à cesta, ping-pong, tandem-bike, xadrez, oficinas e diversas atividades recreativas e de integração.

Abaixo seguem algumas fotinhos do evento:








Equipe CAPSIA



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Oficina culinária - visitando o supermercado

Aha! Acharam que nossa oficina de culinária havia terminado? Pois não! Estamos com todo o pique repetindo nossas maravilhosas receitas, algumas com novos toques dos cheff's, claro! Mas achamos melhor não repetir publicações, para que não achem que estamos exibindo nossos dotes culinários...
Mas esta semana temos novidades!! 
É a semana de visita ao supermercado, para apresentar estas lindas e saudáveis "cores" aos nossos mocinhos e mocinhas... Tb teremos a orientação de nossa nutricionista, dando dicas valiosas sobre uma alimentação equilibrada!



Hummmm!

Equipe CAPSIA

Medicalização da infância

Mais uma excelente dica de leitura da nossa colega Débora Franke. 

 

A era da palmatória química – responsabilidade social e medicalização da infância

 
A epidemia de diagnósticos de “transtorno de déficit de atenção e hiperatividade” (TDAH) que tem assolado a infância está atrelada a um vertiginoso aumento da prescrição de metilfenidato – droga tarja preta  – para crianças.

Segundo estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o consumo de metilfenidato (comercializado no Brasil com os nomes Ritalina e Concerta) aumentou 75% entre crianças e adolescentes na faixa dos 6 aos 16 anos entre os anos de 2009 e 2011.
Curioso é observar que a venda dessa droga aumenta no segundo semestre escolar e cai durante o período das férias escolares. Como aponta Eliane Brum no artigo “O doping das crianças”, publicado na revista Época sobre o estudo, “isso significa que há uma relação direta entre a escola e o uso de uma droga tarja preta”, o que faz essa substância ser conhecida como  “a droga da obediência”.

Parece que estamos vivendo a era da palmatória química, em que a utilização de psicofármacos para a infância em grande escala passa a ser uma prática socialmente corrente.

Não é dos dias de hoje que a criança é ativa e inquieta, que seu corpo se agita diante do que ainda não consegue representar pela palavra, ou que a sua curiosidade a leva a distrair-se, derivando sua atenção em diferentes rumos.
Henry Wallon, importante neurologista e psiquiatra infantil, já apontava no ano de 1925 que a criança é essencialmente turbulenta, a hiperatividade está atrelada ao seu processo de constituição e pode agravar-se quando há alguma angústia diante de uma situação de vida à qual a criança não consegue fazer frente. Em recente trabalho de doutorado sobre o tema da colega Cristine Lacet, de cuja banca tive o prazer de participar, ela nos recorda o que disse esse estudioso: “Quem sou eu e quem eu fui para me permitir julgar o excesso vital de uma criança? Que contas devo eu a uma sabedoria culpada que me fez tornar adulto? Damos crédito para que a criança use e abuse de sua vitalidade. Quem somos nós para normalizar assim nossas nostalgias infantis?”

É preciso considerar que nem toda agitação ou desatenção é doença, como afirmaram os colegas Ilana Katz e Paulo Shiller em coluna na seção Tendências e Debates da Folha de S.Paulo, em 9/7/2014.

O fato é que, desde a década de 50, a utilização de psicofármacos para tratar de doenças mentais tem sido cada vez mais frequente entre os adultos. A partir da década de 80, essa prática começou a estender-se para a infância. Sem dúvida há situações extremas, tais como delírios, alucinações, privação de sono, agressividade extrema, automutilações, em que uma medicação torna-se necessária para criar as condições mínimas de vida e de tratamento. Mas há 25 anos atrás, quando comecei a clinicar, era praticamente impensável que os pais solicitassem psicofármacos para os filhos. Era evidente para eles a necessidade de centrar o tratamento nas aquisições que a criança, em pleno processo de formação, poderia fazer. No entanto, hoje em dia, é corrente que os pais interroguem se “umas gotinhas ou comprimidinhos para acalmar e ajudar a concentrar não viriam bem”.

Muitos pacientes recorrem à rede pública em busca de um psicofármaco, como se, de modo isolado, residisse nele a resolução do problema. Diante disso, psiquiatras extremamente preocupados com a situação veem-se na situação de esclarecer à população sobre a complexidade do quadro.

Ocorre que esses psicofármacos gozam, junto à população, da credibilidade de certos procedimentos altamente eficazes – tais como vacinas ou antibióticos – que de fato eliminam ou evitam uma doença. No entanto, os mecanismos de licenças e aprovação de psicofármacos nem sempre implicam procedimentos tão rigorosos e criteriosos como os adotados em outros campos da medicina. Ao tratar-se de patologias mentais é preciso considerar que as relações causa-efeito das “doenças” não são tão lineares, pois estão atrelados a vários fatores (multifatorialidade), o que torna complexo o seu tratamento, o seu diagnóstico e a especificidade de seus sintomas, dificilmente “consertados” por uma única medicação.

Como afirma o psicanalista Alfredo Jerusalinsky, é impossível falar desse assunto sem tocar a própria história das classificações psiquiátricas, que “ao longo dos últimos 30 anos têm transformado problemas em transtornos”. Ele explica: “Um problema é algo para ser decifrado, interpretado, resolvido. Um transtorno é algo a ser eliminado, suprimido”.

É preciso notar que, seguindo a lista de critérios adotados para os diagnósticos de transtornos da atualidade, é praticamente impossível passar incólume por eles. Qualquer dúvida, vide na lista que a Associación de CHADD mostra em sua página de internet quais são as perguntas e indicadores mais frequentes para suspeitar desse diagnóstico: “Meu filho tem TDAH? Qualquer pai pode se fazer esta pergunta. A resposta a esta pergunta é: todas as crianças podem, eventualmente, ter uma atividade excessiva. Sua atenção também pode, eventualmente, ser breve. No entanto, se seu filho é mais ativo que outros de sua idade, então tem TDAH”. Este não é o único indicador, há outros: “Que a criança tenha esquecimentos frequentes, perca seus pertences, seja desorganizada, seja inconstante em seus pensamentos, que seu professor afirme sua dificuldade em permanecer sentado, que não consiga esperar que suas perguntas sejam respondidas, que preste mais atenção ao redor que a si mesmo, que manifeste agressividade, que apresente dificuldades acadêmicas na aprendizagem da língua e da matemática”. Nessa página consta que, se a criança apresenta estas características, seus pais estão autorizados a pensar que seu filho tem TDAH e devem levá-lo para uma avaliação. Convenhamos, que criança saudável passaria incólume por esses critérios?

Se a turbulência da criança traz problemas para os adultos que dela cuidam, se sua atividade é híper, excessiva, para os demais, fazer disso um transtorno, pressupondo por trás dela uma desordem orgânica a ser eliminada, implica outra lógica.

Os defensores do THDA como um transtorno com entidade clínica específica e de seu tratamento com drogas estimulantes asseguram que ele está associado a “alterações no cérebro”. Mas tanto a Conferência de Desenvolvimento de Consenso dos Institutos Nacionais de Saúde (NHI, EUA, 1998) quanto a Academia Americana de Pediatria (2000) confirmam não haver bases biológicas conhecidas para o TDAH.

Se não está comprovado que algo falte ou sobre no cérebro de uma criança com hiperatividade, o fato é que, a partir da introdução de um psicoestimulante como o metilfenidato, o cérebro passará a funcionar de forma diferente.

A utilização dessa droga não é inócua, e menos ainda para uma criança em formação. Sua longa e preocupante lista de efeitos colaterais vem despertando o alerta dos especialistas. Sabe-se que há efeitos no apetite, efeitos cardiológicos, efeitos relativos ao aumento de comportamentos obsessivos-compulsivos e à diminuição das atividades de curiosidade, de exploração, de brincar e de sociabilização das crianças. A neurocientista Diana Alicia Jerusalinsky no artigo “Trata-se de caçar o caçador?”, publicado no Livro Negro da Psicopatologia Contemporânea (2011, editora Via Lettera), questiona a causalidade e tratamento dessa classificação psicopatológica, recordando que quase sempre o tratamento começa quando se desenvolvem conflitos com os adultos na escola ou em casa. Logo, sob efeito da medicação, as crianças passam a sofrer de outros transtornos que até então não tinham, passando a consumir novos psicofármacos para combater depressões, alucinações ou desordens de bipolaridade. Diante disso, a autora cita Peter Breggin (diretor do Center for the Study of Psychiatry and Psychology – Bethesda, EUA, 2002) em sua fala diante do Congresso dos EUA: “Qualquer anormalidade cerebral nessas crianças é quase que certamente causada por uma exposição prévia à medicação psiquiátrica. (…) Enquanto obtemos um alívio transitório da culpa imaginando que a falta está no cérebro das crianças, acabamos subestimando nossa capacidade para realizar as intervenções adultas que realmente são requeridas”.

É nesse contexto que, a SMS-SP (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo), por meio da Portaria nº 986/2014, regulamentou, em 12 de junho de 2014, as condições de prescrição e distribuição de metilfenidato na rede pública. Uma medida mais do que acertada: um ato de responsabilidade social acerca do modo em que abordaremos, em nossos tempos, as manifestações de saúde e de sofrimento das crianças.

Nota da Abrasme (Associação Brasileira de Saúde Mental) em apoio à decisão da prefeitura afirma que, segundo recentes dados oficiais dos Estados Unidos, aproximadamente 1/5 dos adolescentes no ensino médio receberam o diagnóstico médico de TDAH, e 11% das crianças no ensino fundamental receberam esse mesmo diagnóstico. Dessas crianças e adolescentes diagnosticadas com TDAH, 2/3 receberam prescrições de estimulantes como Ritalina. Esse mesmo fenômeno ocorre em diversas outras sociedades. Na Inglaterra, o número de drogas prescritas para o TDAH (metilfenidato, incluindo a Ritalina) disparou mais de 50% em seis anos.

O que acontece dentro das escolas que faz com que muitos professores estejam, eles mesmos, medicalizados para tentar sustentar a difícil função de transmitir a realização e também frustração que faz parte do processo de apreender? O que acontece com os pais que, tomados pelo trabalho, delegam à escola certas funções estruturantes no sentido de autorizar mas também de cercear o gozo das crianças? O que acontece com uma infância confinada a casas de poucos metros quadrados e TVs de várias polegadas, retiradas de um espaço público degradado e violento?

Se apenas médicos podem receitar medicação, como a AMB (Associação Médica Brasileira) coloca em nota de contestação à decisão da SMS da Prefeitura de São Paulo, publicada no Estadão, é, no entanto, central que a avaliação clínica seja feita por equipe interdisciplinar que considere o sintoma que comparece na criança de modo não isolado, tal como a prefeitura propõe. É o mínimo que inicialmente podemos fazer no sentido de perguntar-nos se tantos diagnósticos de hiperatividade são de fato um problema isolado no cérebro das crianças de nossos tempos ou se, diante da dificuldade de educar, estamos recorrendo a uma palmatória química.

Julieta Jerusalinsky
Psicanalista
 07/08/14


Acesso em: http://blogs.estadao.com.br/crianca-em-desenvolvimento/a-era-da-palmatoria-quimica-responsabilidade-social-e-medicalizacao-da-infancia/ 


Equipe CAPSIA

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Jogos Municipais de Inclusão

No dia 20/08/2014 acontecerá em nosso município o evento "Jogos Municipais de Inclusão". Essa iniciativa pretende ampliar espaços de inclusão, integração e promoção da saúde para pessoas com deficiência e sofrimento mental.

Abaixo segue o folder de divulgação, com a programação completa do evento!





Participe!!!

Equipe CAPSIA